segunda-feira, 4 de maio de 2015

MEMÓRIAS, AFLIÇÕES E SAUDADES

Estou há 3 dias sem escrever uma linha, nem aqui nem em qualquer outro sitio, talvez por falta de inspiração,  ou por andar à procura de emoções durante esses dias ( e se as houve!), ou por preguiça, isso mesmo por preguiça.
Provavelmente preguiçar é o que vai acontecer nos dias que hão-de vir.
Alinhar as palavras num discurso coerente e que tenha a ver connosco é duro e solitário, sobretudo quando  ao longo das passadas setenta e duas horas desfilaram memórias, aflições e saudades.
Na passada sexta-feira primeiro de Maio fez dois anos que faleceu um dos meu maiores amigos, companheiro de trabalho, cumplicidades, alegrias, de tantas coisas que nos faziam rir e rir dos ridículos e tantas vezes das nossas próprias ridicularias e consumidores de tristezas porque elas tinham de acabar depressa, do bom e do mau muito nos aconteceu, eis a mistura de memórias e saudades. Uma vez, com o nosso grupo de palhaços (Alvarito, Albanito e Bolita), fomos fazer a festa de Natal duma importante casa de vinhos de Azeitão e ofereceram-nos uma caixa de um excelente vinho branco, quando chegámos a Setúbal fomos comprar marisco para petiscarmos e saborearmos o maravilhoso néctar, quando abrimos a mala do carro verificamos que nenhum de nós tinha posto lá o vinho, fartámos de rir e fomos comprar vinho, mais barato é claro, mas festejámos na mesma.
Recordo o primeiro de Maio de 1974, o mar de gente a percorrer a cidade, os abraços, os beijos, as esperanças e as irreverencias... quarenta e um anos depois com que me deparo, a indiferença, a apatia, um povo resignado, é esse dia o dia do trabalhador em memória dos trabalhadores que há 129 anos lutaram do dia um até ao dia quatro de Maio por melhores condições de trabalho em Chicago no Estados Unidos da América. Onde estão hoje os nossos trabalhadores? Os médicos, os empregados de limpeza, os engenheiros, os serralheiros, Os comerciantes, os empregados de escritório, os trabalhadores rurais, os das grandes superfícies comerciais, os das mais diversas novas profissões e outros, onde estão? Uns (poucos) talvez na engorda gozando das suas mordomias, outros escondidos no medo de perderem o seu emprego precário, o medo que engorda os donos da finança, melhor dizendo do dinheiro.
Há quarenta e um anos era a festa do fim do medo, hoje a minha aflição, o meu medo, é sentir que o medo está a voltar.

Sem comentários: