quinta-feira, 30 de abril de 2015

Amanhã é 1 de Maio dia do trabalhador e dia feriado e também dia de São José Operário.
Mas o que me leva a escrever hoje é essencialmente porque amanhã é feriado e não quero mexer uma palha. 
Lembrar-me eu que quando decidi  ser actor passei a trabalhar sempre nos feriados, antes disso gozava altamente todos os dias feriados, a véspera  como se fosse um sábado e o dia um domingo, ou seja andar até às tantas na noite anterior ao dia e acordar tarde, muito tarde, às vezes até ouvir a voz longínqua dizendo "o almoço está quase pronto".
É que eu vou fazer hoje, sentar-me no sofá e ficar a ver filmes na televisão até a cabeça começar a pender ou acordar lá para as quatro da madrugada sem ter visto filme nenhum com a mulher a dizer "ainda não te foste deitar, parece mentira!" e acordar amanhã, com o cão enroscado aos meus pés, ao som da mesma voz monocórdica "já são onze e meia e tens que ir tomar banho!" e com os olhos meio abertos meio fechados calçar os chinelos e ir fazer o ritual da higiene.
É por estas e por outras que eu às vezes acredito que estou velho, mas muitas vezes acredito que não estou, melhor dizendo quero acreditar que não estou, não tenho saudades da minha mocidade mas dá-me um prazer enorme recordá-la com alegria por a ter vivido tão intensamente.
Uma coisa vou fazer de certeza amanhã, comemorar com os meus camaradas este dia de luta que só começou a ser lembrado oficialmente no nosso país em 1974.

terça-feira, 28 de abril de 2015

HINO DA ESCOLA CONDE DE FERREIRA DE SETÚBAL

Batas brancas na busca do saber,
Entre leituras, ditados, tabuadas,
A obrigação era  só aprender,
A toque do ponteiro e das reguadas.

A carteira e o tinteiro em porcelana,
Mata borrão, caneta e tinta azul,
E o receio de quem sempre se engana.
Juntinho ao Sado que vem de lá do Sul.

Da Conde de Ferreira,
Somos sábios.
Passámos fronteiras,
Altos muros.
Em vários fusos horários
Construímos o tempo
Dos Futuros.                                                         Refrão
O saber não se esgota no momento.
E é da memória
Que se é feliz.                                                                                 
Cantemos todos juntos de vitória.       
Que a fraca árvore
Sempre criou raiz.

Dessa árvore que nós somos os ramos,
Somos as folhas, os frutos e as flores.
É por isso que ainda nos lembramos
O que aprendemos com os nossos professores.

Foi a vontade do Conde de Ferreira.
Homem livre, defensor da igualdade,
Que nos deixou uma escola verdadeira,
Onde aprendemos a palavra liberdade

Da Conde de Ferreira,
Somos sábios.
Passámos fronteiras,
Altos muros.
Em vários fusos horários
Construímos o tempo
Dos Futuros.                                                         Refrão                    
O saber não se esgota no momento.
E é da memória
Que se é feliz.                                                                                 
Cantemos todos juntos de vitória.   

Que a fraca árvore                                            bis

Sempre criou raiz.


Letra : Carlos Rodrigues
Música : Carlos Pinto


Este hino foi composto por ocasião do 20º encontro dos antigos alunos da escola Conde de Ferreira, Maio de 2003.

O ano passado estava muito debilitado, tinha acabado de sair do hospital e não fui ao almoço mas este ano não falto.
Este é o 32º almoço nele aparecem colegas de várias idades abrangendo sei lá quantas gerações.
Isto é bonito.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

25 de Abril de 1974


Acenderam-se as estrelas da esperança
Nesse dia de já longa idade,
Na escuridão brilhou a luz da mudança
E a canção deixou cair a saudade.

Como estivesse a nascer uma criança…
Um berço de flores crescia na cidade,
Com homens e mulheres em gloriosa dança
Saudando a bela e nova realidade.

Abriram-se as fivelas da mordaça,
Todas as palavras soavam a verdade,
Todos os risos tinham outra graça.

Nos olhos brilhava a lealdade.
E a cor da alegria enchia cada praça
Escrevendo em cada esquina: LIBERDADE.



40 anos depois vejo as esquinas a desaparecer.

31/03/2014


Carlos Rodrigues/Manuel Bola

Escrevi isto como vêem o ano passado, continuo a pensar o mesmo.
Querem controlar a imprensa durante a campanha para as eleições, mas como se levantaram muitas vozes, até dos jornalistas apaniguados (vendidos) ao poder, já estão a dar o dito por não dito.
Sinto que não vão desistir de acabar com as esquinas da liberdade e pior as da esperança.
Mas que gentalha, que nos quer apagar a memória e o pensamento.
"Não há machado que corte a raiz ao pensamento".

quinta-feira, 23 de abril de 2015

OS FANTOCHES


Que alegria eu tinha quando era pequeno. A Avenida Luísa Todi ainda não era calcetada e pelo Natal vinham os bandos de perus guiados por uma varinha que o dono trazia na mão, ficavam frente ao mercado do Livramento onde está hoje a Fonte Luminosa, na praça do Bocage havia os Táxis e a estação rodoviária de “A Setubalense”, o largo da Ribeira Velha era em calçada de pedra de basalto negro, bem como o largo da Misericórdia. Foram precisamente estes sítios, marcos da minha infância, testemunhas da minha alegria e do meu deslumbramento quando era pequeno.
Mal soava ao longe o som da pandeireta, eu já sabia – são eles, os Saltimbancos –, primeira coisa a fazer, correr a casa e pedir à mãe uma moeda para dar, depois da moeda, nem sempre dada de boa vontade, procurar por todos os lugares possíveis onde é que eles estavam e quando os encontrasse ficar pasmado a olhar.
Primeiro e sobre o tapete estendido no chão a menina com um tutu desbotado e umas sapatilhas puídas fazia passos de dança e contorcionismo, era airosa e frágil eu tinha sempre medo que alguma coisa se quebra-se, depois era a cabra, um banco o copo de vidro grosso, como aqueles que havia na taberna por onde os homens bebiam vinho, em cima do banco de boca para baixo, a cabrinha subia para cima do banco em seguida para cima do copo e aí fica em equilíbrio com as quatro patinhas muito juntas até que o amestrador desse ordem para saltar, por fim eram os fantoches e uma apoteose de gargalhadas soltava-se nos ares, na parte superior da barraca aparecia então uma panóplia de fantoches: o touro, o toureiro e forcado; o pai que não quer que a filha namore; o polícia e o ladrão; O vigarista a enganar o usurário; anjo e o diabo e sei lá quantos mais fantoches, desapareciam dum lado para aparecer no outro oposto, corriam loucamente uns atrás dos outros e acabavam quase sempre à paulada “ora toma…ora toma…ora toma…”. Os fantoches da minha infância eram bons, davam-me alegria e eu era feliz.
Agora, frente ao ecrã da televisão ou lendo as páginas dos jornais, toda a minha alegria se desvanece e a felicidade que sempre buscamos parece cada vez mais longe e difícil de alcançar (se é que alguma vez a alcançaremos em vida). Vejo, ouço e leio as atroadas, as mentiras, as justificações que não justificam coisa nenhuma, e tudo em nome de um dos cavaleiros do Apocalipse “a guerra”.
Vejo, ouço e leio com asco profundo os bush, os powell, os rumsfeld, os blair e outros senhores da guerra, bem como os que não se importam de lhes servir de capacho como, os barrosos, os aznar e outros tão iluminados mas que não são mais que os ácaros do capacho. E dou por mim a chamar-lhes: FANTOCHES.
Que me perdoem os fantoches da minha infância.


Carlos Rodrigues



Ao vasculhar coisas do passado vou dar com este escrito, um desabafo, de há uns anos atrás. cuja época facilmente discorrerão.
Hoje com amargura, vejo que tudo está na mesma, apenas mudaram os nomes,quanto ao resto é mais do mesmo, os poderosos senhores das guerras, de armas em punho ou de punhados de dinheiro (a guerra é sempre guerra mudam-lhe é o nome), as marionetas articuladas manipuladas por esses detentores dos poderes vão infelizmente convencendo os incautos (não quero chamar-lhe nomes feios!), mas que afinal não se importam de ser ácaros dos capachos onde os tais limpam os pés e as consciências.
Resumindo e concluindo: a merda é a mesma só variaram as moscas.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

O que me aconteceu pode acontecer a qualquer pessoa, a certa altura começamos a pensar noutras coisas e a achar que elas são prioritárias e vamos deixando para trás o que se nos depara como acessório e o que é acessório fica sempre para amanhã, os amanhãs vão se sucedendo até que acabam por cair no esquecimento em que caem as coisas desprezadas.
O mais dramático é quando por obra e graça dum santo qualquer (não digo Espírito Santo para não criar confusões) nos lembramos do que tínhamos esquecido, passamos então a achar que foi uma enorme burrice ter enviado para as calendas gregas o que agora temos de procurar como prioritário.
Foi assim que me esqueci deste meu lugar de reflexão.
Na verdade podia tê-lo deixado lá no baú do esquecimento e morto para sempre, mas qualquer coisa me dizia que tinha que ressuscitá-lo, para isso foi preciso ir ao sótão da memória e procurar como ele era e onde ele se encontrava, se debaixo deste velho soalho ou encostado a alguma asna carcomida do edifício do pensamento, agora estou aqui feliz por ele estar outra vez comigo à mão de semear, embora não saiba muito bem o que vou fazer com ele.
Foi quase um ano de buscas, não digo incessantes, mas bastantes frequentes, desde que a médica dos cuidados intensivos do Hospital de São Bernardo me disse durante uma consulta que a minha caixa do pirolitos estava boa e recomendava-se, e como quem porfia mata caça apanhei-o, eu sabia que ele não tinha abalado, é claro que não o fiz sozinho, tive a ajuda preciosa desta máquina onde escrevo.
Devo dizer que senti um grande sentimento de culpa por o ter abandonado durante oito anos. 

sábado, 18 de abril de 2015

É bastante aflitivo quando uma pessoa se esquece de alguma coisa que para si tem uma importância especial, mas a verdade é que isso acontece a qualquer um, por exemplo :  quem nunca se esqueceu onde guardou aquela fotografia onde estavam os colegas da escola na tal excursão de finalistas, ou onde está a tal carta comprometedora  duma tal antiga paixão secreta denunciadora da traição que nunca se quis assumir.
Mas até no nosso dia a dia damos por nós sem saber onde deixamos o relógio, os óculos, as chaves do carro, ainda há dias andei quase uma hora à procura do comando da televisão.
Se agora estou outra vez a escrever neste meu blog (isso mesmo!) é porque finalmente consegui encontrar onde é que ele estava.
Qual a razão para isto ter acontecido?
Eu explico no próximo escrito