quarta-feira, 10 de junho de 2015

Embora seja a coisa mais certa que temos a verdade é que nos custa quando vimos ela acontecer: a morte.
Sentimos um aperto no coração quando um familiar ou um amigo deixa esta vida. 
E lá vamos acompanhá-lo até ao cemitério, passar umas horas no velório, para dar-lhe o último adeus e cumprimentar a família, ou sem fazer nada disso homenageamo-lo em casa ou noutro sitio qualquer remoendo  o valor da existência com o lugar comum para a circunstância "não somos nada".
A morte faz-se apresentar de diversa forma, não da mítica representação de gadanha em punho, mas, nestes tempos modernos, de muito mais sofisticada maneira.
Ao meu primo Jaime um homem bom que foi feliz à sua maneira, a morte vestiu-se de bactéria, de tal forma eficiente, que lhe atacou o aparelho respiratório e em pouco mais de três dias acabou com ele, ao meu vizinho Camolas um homem bem disposto, disfarçou-se de cancro que sadicamente o foi consumindo durante meses, o meu amigo Luís Varela morreu ontem, mais uma vez ela pôs a fatiota da moda e cancerigenamente o levou, também ontem se encarregou de levar o meu colega e amigo Nuno Melo, com este ela agiu friamente liquidou-o antes de chegar o órgão que o podia salvar. E tudo isto em menos de um mês
Eu sei que todos os dias a morte faz desaparecer da terra muitas pessoas, eu sei, tal como iniciei este escrito, que mal nascemos a única coisa que temos certa é a morte, mas as pessoas que falei eram-me próximas por isso a magoa é maior e vêm à ideia memórias que passam como um filme.
A dor e a magoa vai desaparecer, mas as memórias essas ficam para nos encher alegremente a alma até que ela disfarçada de qualquer coisa nos levar.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Nasci 18 anos depois do acontecimento que é hoje efeméride.
A verdade é que esperei 30 anos para assistir ao fim desse regime que nasceu 18 anos antes de eu ver a luz do dia.
A 28 de Maio de 1926 os generais Gomes da Costa, Mendes Cabeçadas e outros militares e civis apoiantes, comandam uma revolução cujo objectivo , conseguido, era acabar com o parlamentarismo e instaurar uma ditadura militar
Ditadura militar no poder tinha muita gente a mexer na panela, Mendes Cabeçadas era o presidente que se deixou enganar pelo Gomes da Costa que era o dono da revolução, só um dono da revolução é que podia descer, gloriosamente, montado num cavalo a avenida da Liberdade mais 15.000 soldados, tal e qual general romano em plena Roma, mas entretanto aparece outro general que também mexia na panela, mas que além de uma grande colher também tinha uma faca e um bote, chamava-se Óscar Carmona, não está com meias medidas, aponta a faca ao Gomes da Costa mete-o dentro do barco e manda-o remar até aos Açores, com esta diatribe toma o lugar de presidente e a ditadura militar passa a ditadura nacional (já apanha mais gente) e para que tudo seja legitimo (penso eu) fez-se eleger presidente por sufrágio universal (pois está claro).
Então o general Óscar Carmona manda vir de Coimbra um tal senhor muito esperto e inteligente de nome António Oliveira Salazar, já tinha estado ao pé da panela mas foi-se embora por não gostar da caldeirada, desta vez ele veio para ficar (ficou até aparecer a tal cadeira traiçoeira), e a ditadura nacional passou a chamar-se estado novo, parecia mal chamar ditadura a uma coisa que estava-se mesmo a ver que o era.
Ora é claro que ninguém podia falar mal duma coisa nova (até desapareceu como novo), assim apareceu o corporativismo que foi inspirado numa coisa muito velha, a censura (nada como uma senhora velha para tomar conta do neófito), a PVDE (alguns chamavam pevide) policia de vigilância e defesa do estado, passou depois a ser PIDE policial internacional de defesa do estado e acabou por ser mais tarde DGS direcção geral de segurança (só mudava o nome), prendiam que se fartavam e matavam muito bem (qualidades), e muitas outros rebentos teve o estado novo.
Que enorme alegria tive no 25 de Abril de 1974, mas hoje 28 de Maio de 2015 estou triste e apreensivo.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

O mundo é uma caixinha de surpresas que nos vai deslumbrando, umas vezes ficamos maravilhados, outras vezes tristes e acabrunhados ou então suscita perguntas pertinentes e impertinentes.
Agora que as notícias correm céleres dificilmente conseguimos digerir tudo o que nos é informado ou sugerido.
O que está na berra actualmente no nosso país, é o futebol que não dura só uma semana mas nos envenena permanentemente (eu gosto do futebol, do jogo em si) e leva a desmandos absolutamente impróprios para o homem fautor da cidadania, seja policia ou adepto.
O Benfica campeão encheu abusivamente durante uma semana, e continua a abusar, tudo o que é meio de comunicação social quase parecendo que a salvação  estava nessa vitória.
Começo a pensar seriamente que talvez seja verdade, que a salvação está nesse magote de gente que anda atrás da bola sentada na bancada se a energia gasta nos berros e nos apupos, no acumular de ódios e criticas de maus gosto, na degradação moral e falta de cidadania, fosse utilizada numa consciência solidária, numa atitude respeitosa devida aos adversários, na sua vida pessoal e colectiva e no que se passa à sua volta e pode modificar-lhes a existência, para bem ou para mal.
Acho bem que as pessoas gostem de um clube desportivo, que se sintam orgulhosas pelas vitórias alcançadas mas não só no futebol.
Sou vitoriano dos quatro costados e podem dizer que o Vitória de Setúbal é Vitória Futebol Clube e eu falo mal do futebol!?...eu não falo mal do futebol desporto, mas não suporto a clubite idiota, odeio o futebol usado como droga, as provocações cínicas dos seus dirigentes, as volumosas e ofensivas,quantidades de dinheiro que movimenta e podia ser usado de melhor de maneira mais útil e servil.
Mas deixemos o futebol, todos os dias o jornal mais lido em portugal e outros medias acompanhantes falam até à exaustão dos desvios imorais de um ex-primeiro ministro, tal atitude leva-me a pensar duas coisas: ou arranjaram uma mentira e vão repeti-la muitas vezes para que se torne verdade, ou devem de ser muito bem pagos para tão grande publicidade, hoje o dinheiro vale mais que os valores que fomos acumulando ao longo de séculos. E digo isto porque há outros figurões, também com culpas no cartório, que lá são falados de vez em quando e outros, esses parece-me que são imunes,por isso bico calado ou piem baixinho.
Há ainda a barbárie do auto proclamado estado islâmico que tomou Palmira, fala-se disso para não dizer que não se fala nada de tal assunto, porque se se fala muito os amigos americanos podem ficar zangados e com razão, então não são eles unha com carne com a Arábia Saudita por causa do petróleo e são os sauditas vão ajudando o tal estado islâmico, lá se vão entretendo a deitar umas bombitas para não ficarem mal na fotografia, percebe-se porquê, entre outras baralhadas.
Amanhã se for vivo escrevo mais.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Este vicio de escrever

Não quero dizer com isto que vou pôr aqui alguma opinião que vá mudar a face da terra, são apenas desabafos que aliviam a alma, partilha de emoções. ou criticas azedas ao que nos vai acontecendo sem tenhamos culpa de tal.
Os terramotos são a causa de tragédias como os que sucederam no  Nepal sem que alguém disso fosse culpado.
Quando estes tristes factos acontecem aumentam os peditórios solicitando dinheiro para  ajudar as vitimas  que sofrem, ora aqui é que está o busílis, porque será que de repente aparecem tantas instituições, algumas absolutamente desconhecidas, a pedir auxilio ( em dinheiro) para os acidentados da tragédia?
Não sei, e é melhor não saber.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

MEMÓRIAS, AFLIÇÕES E SAUDADES

Estou há 3 dias sem escrever uma linha, nem aqui nem em qualquer outro sitio, talvez por falta de inspiração,  ou por andar à procura de emoções durante esses dias ( e se as houve!), ou por preguiça, isso mesmo por preguiça.
Provavelmente preguiçar é o que vai acontecer nos dias que hão-de vir.
Alinhar as palavras num discurso coerente e que tenha a ver connosco é duro e solitário, sobretudo quando  ao longo das passadas setenta e duas horas desfilaram memórias, aflições e saudades.
Na passada sexta-feira primeiro de Maio fez dois anos que faleceu um dos meu maiores amigos, companheiro de trabalho, cumplicidades, alegrias, de tantas coisas que nos faziam rir e rir dos ridículos e tantas vezes das nossas próprias ridicularias e consumidores de tristezas porque elas tinham de acabar depressa, do bom e do mau muito nos aconteceu, eis a mistura de memórias e saudades. Uma vez, com o nosso grupo de palhaços (Alvarito, Albanito e Bolita), fomos fazer a festa de Natal duma importante casa de vinhos de Azeitão e ofereceram-nos uma caixa de um excelente vinho branco, quando chegámos a Setúbal fomos comprar marisco para petiscarmos e saborearmos o maravilhoso néctar, quando abrimos a mala do carro verificamos que nenhum de nós tinha posto lá o vinho, fartámos de rir e fomos comprar vinho, mais barato é claro, mas festejámos na mesma.
Recordo o primeiro de Maio de 1974, o mar de gente a percorrer a cidade, os abraços, os beijos, as esperanças e as irreverencias... quarenta e um anos depois com que me deparo, a indiferença, a apatia, um povo resignado, é esse dia o dia do trabalhador em memória dos trabalhadores que há 129 anos lutaram do dia um até ao dia quatro de Maio por melhores condições de trabalho em Chicago no Estados Unidos da América. Onde estão hoje os nossos trabalhadores? Os médicos, os empregados de limpeza, os engenheiros, os serralheiros, Os comerciantes, os empregados de escritório, os trabalhadores rurais, os das grandes superfícies comerciais, os das mais diversas novas profissões e outros, onde estão? Uns (poucos) talvez na engorda gozando das suas mordomias, outros escondidos no medo de perderem o seu emprego precário, o medo que engorda os donos da finança, melhor dizendo do dinheiro.
Há quarenta e um anos era a festa do fim do medo, hoje a minha aflição, o meu medo, é sentir que o medo está a voltar.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Amanhã é 1 de Maio dia do trabalhador e dia feriado e também dia de São José Operário.
Mas o que me leva a escrever hoje é essencialmente porque amanhã é feriado e não quero mexer uma palha. 
Lembrar-me eu que quando decidi  ser actor passei a trabalhar sempre nos feriados, antes disso gozava altamente todos os dias feriados, a véspera  como se fosse um sábado e o dia um domingo, ou seja andar até às tantas na noite anterior ao dia e acordar tarde, muito tarde, às vezes até ouvir a voz longínqua dizendo "o almoço está quase pronto".
É que eu vou fazer hoje, sentar-me no sofá e ficar a ver filmes na televisão até a cabeça começar a pender ou acordar lá para as quatro da madrugada sem ter visto filme nenhum com a mulher a dizer "ainda não te foste deitar, parece mentira!" e acordar amanhã, com o cão enroscado aos meus pés, ao som da mesma voz monocórdica "já são onze e meia e tens que ir tomar banho!" e com os olhos meio abertos meio fechados calçar os chinelos e ir fazer o ritual da higiene.
É por estas e por outras que eu às vezes acredito que estou velho, mas muitas vezes acredito que não estou, melhor dizendo quero acreditar que não estou, não tenho saudades da minha mocidade mas dá-me um prazer enorme recordá-la com alegria por a ter vivido tão intensamente.
Uma coisa vou fazer de certeza amanhã, comemorar com os meus camaradas este dia de luta que só começou a ser lembrado oficialmente no nosso país em 1974.

terça-feira, 28 de abril de 2015

HINO DA ESCOLA CONDE DE FERREIRA DE SETÚBAL

Batas brancas na busca do saber,
Entre leituras, ditados, tabuadas,
A obrigação era  só aprender,
A toque do ponteiro e das reguadas.

A carteira e o tinteiro em porcelana,
Mata borrão, caneta e tinta azul,
E o receio de quem sempre se engana.
Juntinho ao Sado que vem de lá do Sul.

Da Conde de Ferreira,
Somos sábios.
Passámos fronteiras,
Altos muros.
Em vários fusos horários
Construímos o tempo
Dos Futuros.                                                         Refrão
O saber não se esgota no momento.
E é da memória
Que se é feliz.                                                                                 
Cantemos todos juntos de vitória.       
Que a fraca árvore
Sempre criou raiz.

Dessa árvore que nós somos os ramos,
Somos as folhas, os frutos e as flores.
É por isso que ainda nos lembramos
O que aprendemos com os nossos professores.

Foi a vontade do Conde de Ferreira.
Homem livre, defensor da igualdade,
Que nos deixou uma escola verdadeira,
Onde aprendemos a palavra liberdade

Da Conde de Ferreira,
Somos sábios.
Passámos fronteiras,
Altos muros.
Em vários fusos horários
Construímos o tempo
Dos Futuros.                                                         Refrão                    
O saber não se esgota no momento.
E é da memória
Que se é feliz.                                                                                 
Cantemos todos juntos de vitória.   

Que a fraca árvore                                            bis

Sempre criou raiz.


Letra : Carlos Rodrigues
Música : Carlos Pinto


Este hino foi composto por ocasião do 20º encontro dos antigos alunos da escola Conde de Ferreira, Maio de 2003.

O ano passado estava muito debilitado, tinha acabado de sair do hospital e não fui ao almoço mas este ano não falto.
Este é o 32º almoço nele aparecem colegas de várias idades abrangendo sei lá quantas gerações.
Isto é bonito.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

25 de Abril de 1974


Acenderam-se as estrelas da esperança
Nesse dia de já longa idade,
Na escuridão brilhou a luz da mudança
E a canção deixou cair a saudade.

Como estivesse a nascer uma criança…
Um berço de flores crescia na cidade,
Com homens e mulheres em gloriosa dança
Saudando a bela e nova realidade.

Abriram-se as fivelas da mordaça,
Todas as palavras soavam a verdade,
Todos os risos tinham outra graça.

Nos olhos brilhava a lealdade.
E a cor da alegria enchia cada praça
Escrevendo em cada esquina: LIBERDADE.



40 anos depois vejo as esquinas a desaparecer.

31/03/2014


Carlos Rodrigues/Manuel Bola

Escrevi isto como vêem o ano passado, continuo a pensar o mesmo.
Querem controlar a imprensa durante a campanha para as eleições, mas como se levantaram muitas vozes, até dos jornalistas apaniguados (vendidos) ao poder, já estão a dar o dito por não dito.
Sinto que não vão desistir de acabar com as esquinas da liberdade e pior as da esperança.
Mas que gentalha, que nos quer apagar a memória e o pensamento.
"Não há machado que corte a raiz ao pensamento".

quinta-feira, 23 de abril de 2015

OS FANTOCHES


Que alegria eu tinha quando era pequeno. A Avenida Luísa Todi ainda não era calcetada e pelo Natal vinham os bandos de perus guiados por uma varinha que o dono trazia na mão, ficavam frente ao mercado do Livramento onde está hoje a Fonte Luminosa, na praça do Bocage havia os Táxis e a estação rodoviária de “A Setubalense”, o largo da Ribeira Velha era em calçada de pedra de basalto negro, bem como o largo da Misericórdia. Foram precisamente estes sítios, marcos da minha infância, testemunhas da minha alegria e do meu deslumbramento quando era pequeno.
Mal soava ao longe o som da pandeireta, eu já sabia – são eles, os Saltimbancos –, primeira coisa a fazer, correr a casa e pedir à mãe uma moeda para dar, depois da moeda, nem sempre dada de boa vontade, procurar por todos os lugares possíveis onde é que eles estavam e quando os encontrasse ficar pasmado a olhar.
Primeiro e sobre o tapete estendido no chão a menina com um tutu desbotado e umas sapatilhas puídas fazia passos de dança e contorcionismo, era airosa e frágil eu tinha sempre medo que alguma coisa se quebra-se, depois era a cabra, um banco o copo de vidro grosso, como aqueles que havia na taberna por onde os homens bebiam vinho, em cima do banco de boca para baixo, a cabrinha subia para cima do banco em seguida para cima do copo e aí fica em equilíbrio com as quatro patinhas muito juntas até que o amestrador desse ordem para saltar, por fim eram os fantoches e uma apoteose de gargalhadas soltava-se nos ares, na parte superior da barraca aparecia então uma panóplia de fantoches: o touro, o toureiro e forcado; o pai que não quer que a filha namore; o polícia e o ladrão; O vigarista a enganar o usurário; anjo e o diabo e sei lá quantos mais fantoches, desapareciam dum lado para aparecer no outro oposto, corriam loucamente uns atrás dos outros e acabavam quase sempre à paulada “ora toma…ora toma…ora toma…”. Os fantoches da minha infância eram bons, davam-me alegria e eu era feliz.
Agora, frente ao ecrã da televisão ou lendo as páginas dos jornais, toda a minha alegria se desvanece e a felicidade que sempre buscamos parece cada vez mais longe e difícil de alcançar (se é que alguma vez a alcançaremos em vida). Vejo, ouço e leio as atroadas, as mentiras, as justificações que não justificam coisa nenhuma, e tudo em nome de um dos cavaleiros do Apocalipse “a guerra”.
Vejo, ouço e leio com asco profundo os bush, os powell, os rumsfeld, os blair e outros senhores da guerra, bem como os que não se importam de lhes servir de capacho como, os barrosos, os aznar e outros tão iluminados mas que não são mais que os ácaros do capacho. E dou por mim a chamar-lhes: FANTOCHES.
Que me perdoem os fantoches da minha infância.


Carlos Rodrigues



Ao vasculhar coisas do passado vou dar com este escrito, um desabafo, de há uns anos atrás. cuja época facilmente discorrerão.
Hoje com amargura, vejo que tudo está na mesma, apenas mudaram os nomes,quanto ao resto é mais do mesmo, os poderosos senhores das guerras, de armas em punho ou de punhados de dinheiro (a guerra é sempre guerra mudam-lhe é o nome), as marionetas articuladas manipuladas por esses detentores dos poderes vão infelizmente convencendo os incautos (não quero chamar-lhe nomes feios!), mas que afinal não se importam de ser ácaros dos capachos onde os tais limpam os pés e as consciências.
Resumindo e concluindo: a merda é a mesma só variaram as moscas.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

O que me aconteceu pode acontecer a qualquer pessoa, a certa altura começamos a pensar noutras coisas e a achar que elas são prioritárias e vamos deixando para trás o que se nos depara como acessório e o que é acessório fica sempre para amanhã, os amanhãs vão se sucedendo até que acabam por cair no esquecimento em que caem as coisas desprezadas.
O mais dramático é quando por obra e graça dum santo qualquer (não digo Espírito Santo para não criar confusões) nos lembramos do que tínhamos esquecido, passamos então a achar que foi uma enorme burrice ter enviado para as calendas gregas o que agora temos de procurar como prioritário.
Foi assim que me esqueci deste meu lugar de reflexão.
Na verdade podia tê-lo deixado lá no baú do esquecimento e morto para sempre, mas qualquer coisa me dizia que tinha que ressuscitá-lo, para isso foi preciso ir ao sótão da memória e procurar como ele era e onde ele se encontrava, se debaixo deste velho soalho ou encostado a alguma asna carcomida do edifício do pensamento, agora estou aqui feliz por ele estar outra vez comigo à mão de semear, embora não saiba muito bem o que vou fazer com ele.
Foi quase um ano de buscas, não digo incessantes, mas bastantes frequentes, desde que a médica dos cuidados intensivos do Hospital de São Bernardo me disse durante uma consulta que a minha caixa do pirolitos estava boa e recomendava-se, e como quem porfia mata caça apanhei-o, eu sabia que ele não tinha abalado, é claro que não o fiz sozinho, tive a ajuda preciosa desta máquina onde escrevo.
Devo dizer que senti um grande sentimento de culpa por o ter abandonado durante oito anos. 

sábado, 18 de abril de 2015

É bastante aflitivo quando uma pessoa se esquece de alguma coisa que para si tem uma importância especial, mas a verdade é que isso acontece a qualquer um, por exemplo :  quem nunca se esqueceu onde guardou aquela fotografia onde estavam os colegas da escola na tal excursão de finalistas, ou onde está a tal carta comprometedora  duma tal antiga paixão secreta denunciadora da traição que nunca se quis assumir.
Mas até no nosso dia a dia damos por nós sem saber onde deixamos o relógio, os óculos, as chaves do carro, ainda há dias andei quase uma hora à procura do comando da televisão.
Se agora estou outra vez a escrever neste meu blog (isso mesmo!) é porque finalmente consegui encontrar onde é que ele estava.
Qual a razão para isto ter acontecido?
Eu explico no próximo escrito